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Semicondutores ficam sem projetos no Brasil mesmo com R$ 100 milhões disponíveis

Nenhum projeto foi apresentado ao edital de semicondutores da Finep, que destinou R$ 100 milhões para o setor. O cenário evidencia desafios estruturais para startups e empresas tech brasileiras que buscam inovar em hardware.

Semicondutores ficam sem projetos no Brasil mesmo com R$ 100 milhões disponíveis
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Foto: Canva | Fonte original

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Redação Bresus
2 min

Falta de projetos expõe gargalos na indústria de semicondutores no Brasil

O anúncio de que nenhum projeto foi submetido ao edital de R$ 100 milhões para semicondutores da Finep surpreendeu parte do setor, mas também revelou uma realidade já conhecida por muitos founders e investidores brasileiros: a ausência de um ecossistema robusto para inovação em hardware no país. Enquanto outros editais de inovação da agência, que juntos somam R$ 3,3 bilhões em créditos não reembolsáveis, receberam diversas propostas — como o de saúde, que já conta com mais de 30 projetos protocolados —, o segmento de semicondutores ficou completamente vazio.

Lançados no início de 2026, os editais da Finep utilizam fluxo contínuo, modelo que não promove competição direta entre propostas, mas exige um critério mínimo de qualidade para liberação dos recursos enquanto houver verba disponível. Ainda assim, mesmo com regras flexíveis e recursos garantidos, a linha temática dedicada aos semicondutores não recebeu sequer uma iniciativa, diferentemente dos demais setores contemplados.

O resultado parcial, divulgado em 10 de abril, escancara o desafio enfrentado pelo Brasil em transformar seu potencial natural em projetos concretos de pesquisa, desenvolvimento e produção de microchips. Apesar de possuir reservas de minerais estratégicos, o país ainda não conseguiu criar um ambiente favorável para startups e empresas SaaS que queiram investir em hardware, seja por falta de mão de obra qualificada, infraestrutura ou incentivos adequados à inovação de base tecnológica.

Para founders e investidores do mercado tech, o cenário serve de alerta. A lacuna de projetos sinaliza não apenas a carência de iniciativas locais, mas também a necessidade urgente de políticas públicas e estratégias privadas que incentivem o desenvolvimento de toda a cadeia de valor dos semicondutores. Sem avanços nessa frente, o Brasil corre o risco de perder relevância global em um setor considerado estratégico para a transformação digital e a soberania tecnológica.

Conclusão

A ausência de propostas no edital de semicondutores da Finep evidencia um gargalo estrutural que limita o avanço da inovação em hardware no Brasil. Para startups e empresas SaaS, o episódio reforça a importância de buscar articulação entre setor público, privado e academia para destravar o potencial do país, especialmente em áreas críticas para o futuro da tecnologia.

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